6 de set de 2009

Entulho pós-moderno

Saiba onde descartar o lixo eletroeletrônico, um novo item que se soma à vasta lista de problemas que afetam a ecologia

Jogar fora um computador usado ou um celular antigo é difícil. A lixeira, com certeza, não é o lugar mais adequado. Artefatos eletroeletrônicos contêm materiais que demoram a se decompor – plástico, metal e vidro – e outros altamente prejudiciais à saúde, como mercúrio, chumbo, cádmio, manganês e níquel.


"Quando jogadas no lixo comum, que segue para aterros sanitários, essas substâncias penetram no solo, contaminando lençóis freáticos e, aos poucos, animais e seres humanos", diz o professor do Instituto de Química da UFRJ Júlio Carlos Afonso.


De acordo com uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas, o Brasil atingiu, em maio, 60 milhões de computadores em uso. "A rápida obsolescência dos modelos e a compulsão por comprar os últimos lançamentos levam a um descarte anual de 1 milhão de computadores no país", calcula Afonso.


Apesar disso, não existe ainda lei ou norma federal que regule o descarte de resíduos eletrônicos. Há algumas soluções, mas o problema está longe de ser resolvido. Veja a seguir o que fazer para cuidar do e-lixo:


*Pilhas e baterias: uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) determina que, a partir de novembro de 2010, fabricantes ou importadores de pilhas e baterias serão responsáveis pela coleta desses materiais. O usuário poderá devolver o produto à loja onde o comprou, ou à assistência técnica autorizada, para que seja encaminhado ao fabricante. Alguns revendedores já cumprem a determinação. Outra opção é utilizar um dos 500 coletores seletivos da Comlurb – os de cor verde – espalhados pela cidade. As agências do Banco Real também têm urnas especiais para o depósito desses materiais.


*Aparelhos e baterias de celular: o descarte pode ser feito em urnas especiais existentes nas lojas das operadoras Claro,Vivo, Oi e Tim. De lá, o conteúdo segue para reciclagem, que reaproveita até 80% do material.


*Computadores e outros equipamentos de informática: os que ainda funcionam podem ser doados ao Comitê para Desenvolvimento da Informática (CDI), ONG que recupera os equipamentos para uso nos chamados projetos de inclusão digital (3546-6570, das 9 às 18 horas). Mensalmente, a entidade recebe cerca de 400 equipamentos, mas apenas 15% são aproveitados. "Recebemos muito material sucateado, impossível de ser recuperado", diz o fundador e diretor executivo do CDI, Rodrigo Baggio. "As pessoas não sabem o que fazer com esse lixo." Os 85% restantes são reciclados e deles resultam 5 toneladas de plástico e 10 toneladas de ferro por ano.


*Geladeiras, micro-ondas, TVs, DVDs e outros eletrodomésticos: a Comlurb tem um serviço de remoção gratuito ( 2204-9999 - aqui no Rio de Janeiro - de segunda a sexta, das 6 às 22 horas) e encaminha o material para uma triagem, feita por catadores de recicláveis.